PRODUÇÃO DE CALÇADOS DEVE AUMENTAR 3,5% E INDÚSTRIA PROJETA VENDAS EM ALTA NO SICC

Apesar do ano turbulento, previsões apontam aumentos na produção e no consumo. Feira realizada em Gramado (RS) pode servir de termômetro para as projeções

As principais marcas brasileiras de calçados e acessórios estarão reunidas na próxima semana no SICC – Salão Internacional do Couro e do Calçado. Realizada durante três dias, 23, 24 e 25, a feira sediada em Gramado (RS) servirá como um termômetro para os próximos meses. Projeções da consultoria especializada IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial apontam que mesmo em um ano conturbado, o setor aumentará sua produção em 3,5%, passando dos 855 milhões produzidos em 2015 para 885 milhões neste ano.

Em se tratando de rentabilidade, o crescimento é ainda mais expressivo. O IEMI projeta incremento do faturamento de 12%. O mercado nacional continuará sendo o principal destino da produção, com um indício de reaquecimento do consumo. O varejo local deve aumentar suas vendas de 767 milhões para 783 milhões de pares. As exportações também devem crescer em um nível acentuado, fazendo com que as marcas brasileiras cheguem a um número mais expressivo de mercados.

O SICC será responsável por apresentar ao varejo as coleções de primavera e verão 2016/2017. A estação reponde por 70% da produção nacional, e a feira é tradicionalmente um momento de encaminhar as vendas de parte desse montante. “Sabemos que esse não será um ano fácil para a economia brasileira, mas o varejo sabe que precisará investir em moda, em vitrines com novidades, para garantir as vendas de final de ano. O SICC tem uma data privilegiada nesse sentido, garantindo os produtos que serão comercializados pelo lojista no segundo semestre”, explica o diretor da Merkator Feiras e Eventos, Frederico Pletsch.

Nesta edição serão 350 expositores, que juntos representam 1,4 mil marcas. Isso garante ao SICC uma representatividade do que é fabricado no país acima dos 80%. As marcas expostas no Serra Park dão ao varejista opções em produtos para diferentes segmentos, com calçados e acessórios masculinos, femininos, esportivos e infantis. “Essa representatividade é fundamental para satisfazer as necessidades dos lojistas. Conseguimos juntar em um só lugar o que de melhor é produzido no país”, ressalta o diretor da promotora da feira.

EXPORTAÇÕES EM ALTA – A indústria gaúcha tem motivos para comemorar o bom momento em sua relação com o mercado internacional. Nos três primeiros meses deste ano as fábricas do Rio Grande do Sul enviaram para o exterior 6,46 milhões de pares, volume 44% ao que foi exportado no mesmo período do ano passado de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados). Já o IEMI projeta que as exportações brasileiras nesse ano passem de aproximadamente 122 milhões de pares no ano passado para 130 milhões em 2016.

Contribuindo para essas estimativas positivas, o SICC viu aumentar a procura de compradores estrangeiros por participar da feira. Neste ano serão 200 importadores que vêm de 46 países em busca do melhor da indústria brasileira. “Tivemos uma alta adesão dos expositores ao projeto exportador. O câmbio aponta para um bom momento para exportarmos e o calçado brasileiro está pronto para buscar novos mercado, ampliando a produtividade e o volume de negócios”, ressalta o diretor da Merkator.

IMPORTAÇÕES EM QUEDA – O SICC será responsável pela renovação das vitrines a partir de setembro. O câmbio com dólar valorizado tem feito com que o lojista compre prioritariamente do produtor nacional, tendência que vem crescendo desde o ano passado. Segundo dados da Abicalçados, no ano passado entraram no Brasil 33,26 milhões de pares ao custo de US$ 481 milhões, o que representa uma queda de 9,6% no volume e de 14,3% em termos de valores em relação a 2014. “Esse mercado será ocupado pelas marcas brasileiras, o que é um indicativo de alta procura por parte do varejo”, lembra Pletsch.